Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Tia! Tia! Tia!

As tias têm voz. E histórias.

"Não me apetece"

Eram horas de preparar a mesa para o almoço.

Estavas entre a mesa e o armário dos pratos, bastava mexeres os braços

- Sobrinha, podes tirar os pratos, se fazes favor?

- Não me apetece.

E afastaste-te, foste desenhar para a mesa de trabalho.

- Sobrinha, fico triste por não quereres ajudar a colocar os pratos que tu também usas, e fico muito triste porque estavas mesmo ao lado deles. Claro que também tenho o direito de não fazer o que não me apetecer, e se ao Avô não apetecer ir comprar gelado, bom, também tem esse direito. Não te esqueças de arrumar a caixa dos lápis quando acabares, é um dever teu.

Não respondeste. Continuaste a desenhar e eu continuei o que estava a fazer. Passados poucos minutos levantaste-te e vieste até mim. Em voz normal mas sem sorrisos perguntei o que querias. Nada disseste, mas abraçaste-me.

- Sobrinha, estás triste contigo? Se estás, talvez seja melhor pedires desculpa, um abracinho não chega quando sentimos que não nos portámos bem. E não me apetecem abracinhos porque eu estou triste contigo.

Não abriste a boca, mas as lágrimas andaram a espreitar. Foste buscar os guardanapos, distribuiste-os pelos lugares, paraste ao pé de mim e

- Tia, desculpa.

- Desculpo, sim, Sobrinha.

Abracei-te, abraçaste-me, conversámos um bocadinho sobre o assunto, acabámos a mesa e quando preparámos a salada já ríamos outra vez.

 

Não sei se percebeste bem a diferença entre não apetecer brincar e não apetecer ajudar. Mas não voltaste a responder "não me apetece" a um pedido de ajuda. Mesmo quando não fazes o que te peço. 

 

14 comentários

[acho que...]