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Tia! Tia! Tia!

As tias têm voz. E histórias.

O jogo do peixinho

Desde pequenina que jogamos um qualquer jogo antes de te deitares. Muitas vezes, ao peixinho, até porque o podemos jogar na cama.

Numa noite, terias talvez 5 anos, eu tinha já 5 peixinhos e tu... nenhum.

- Tia, dás-me um peixinho?

- Oh, coitadinha da minha sobrinha, quer um peixinho... queres também um pratinho de sopa?

disse eu, brincalhona; e tu, espantada, riste-te mas respondeste

- Oh, vá lá, tia, tia, tia... tens tantos...

e dei-te dois peixinhos e acabaste por ganhar, ganharias mesmo sem eles. E nessa noite dei-te mais peixinhos mas não ganhaste os jogos todos, porque gostamos que ganhes mas gostamos mais que aprendas e mereças ganhar, e por isso a tia puxa por ti. E por isso me ganhas tantas vezes. E ao avó...

 

Muitos meses depois, numa outra estada, jogávamos ao peixinho na cama e eu teria 5 ou 6, quase a ganhar, e tu 1. Já bocejavas, e ao deitares-te para trás, esfregaste a barriga, lambeste os lábios e disseste:

- Ai, tia, que fominha...

Porque nem tinhas jantado muito bem, levantei-me para ir buscar um bocadito de leite.

- Oh, tia, não quero leite. Mas podias dar-me esses peixinhos, nham nham, parecem todos tão apetitosos...

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[acho que...]