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Tia! Tia! Tia!

As tias têm voz. E histórias.

Contas de somar, está bem

Poucos dias antes do Natal:

- Tia, a Priminha L. gosta muito de estar ao teu colo, pois gosta?

- Parece que sim, Sobrinha.

- E tu também gostas muito de a ter ao colo, pois gostas, Tia?

- Gosto, ainda é a única maneira que a L. tem de comunicar connosco...

- Ela é muito queridinha.

- É, sim. Tu também eras assim, quando bebé..

- Gostas muito dela, Tia?

- Gosto. E gosto muito de ti.

- E não vais gostar um bocadinho menos de mim para poderes gostar dela, Tia?

- Oh, Sobrinha! A Tia nunca vai deixar de gostar de ti nem um bocadinho, por muitas priminhas que tenhas! Quando gostamos das pessoas, não as trocamos por outras, querida - juntamos. Imagina que os nossos braços são elásticos: esticam quando abraçamos mais alguém. Foi assim quando nasceste...

- Não deixaram de gostar da minha mana, não foi, Tia?

- Exactamente! Não deixámos de gostar da tua Mana, tal como não deixámos de gostar da tua Madrinha quando o D. surgiu, ou os Avós deixaram de gostar de mim quando a tua Mãe surgiu...

- Ah! Então podemos gostar sempre de mais pessoas... ainda bem, Tia, eu não queria gostar menos de ninguém. Nem queria que gostasses menos de mim.

Hoje

Não tenho conversado contigo por aqui, Sobrinha...

... mas isso muda Hoje!

 

Gostei muito de ver a surpresa que os teus amigos te enviaram, tantos desenhos e tantos sorrisos num filme de um minuto. Não é a festa a que estás acostumada, eu sei... mas também sei que Tu sabes ser essa a melhor festa que poderias viver hoje! E podes repeti-la quantas vezes queiras, que bom!

Quero dizer, Essa festa é a melhor que poderias viver hoje, com excepção da que vais viver daqui a um quarto-de-hora, com bolos i-guai-zinhos em casas distantes e um coro de vozes muito desafinadas que ainda desafinarão mais pelo Skype e pelo WhatsApp! Mas quem se importará com a música, se o que interessa é a alegria?

 

Até já, meu amor maior, e que estas palavras te abracem como eu te abraçaria.

Como te abraçarei assim que puder! 

As decorações de Natal da Avó

A Avó gosta das decorações de Natal. Tu também gostas, e ficavas sempre muito feliz quando chegavas e vias as luzes e o presépio e as grinaldas e as velas... 

Há dois anos, cheguei a casa da Avó na última quinta-feira de Novembro, e as salas e a cozinha estavam já decoradas. 

Perguntei à Avó:

-  Não é cedo para decorares a casa?

- A minha Neta vem passar o fim-de-semana, e eu quero que ela veja a casa assim bonita! 

No dia seguinte, cheguei para jantar antes de tu e os teus pais chegarem, e a Avó andava atarefadíssima a mexer nas decorações de Natal. A retirar tudo o que havia colocado no dia anterior!

Perguntei-lhe:

- Então o que se passa para andares a retirar a decoração?

- A tua Irmã ligou-me antes de saírem, a tua Sobrinha queria falar comigo.

- A sério? Mas se já vinham a caminho... o que queria a miúda?

E a Avó imitou-te:

- "Sabes, Avó? Estive a pôr as coisas de Natal na minha casa, com a Mãe e com a Mana. Ficou muito bonita, tirei fotografias para veres. E, olha, podias ir buscar as tuas coisas à garagem? Porque amanhã de manhã está frio e eu queria arrumar a casa para o Natal contigo e com a Tia... podes, Avó?"

Desde então que a Avó deixa metade da casa por decorar até à tua chegada.

Saudades de gente pequena

Ou a canção certa na voz errada

Há um ano, talvez dois, a tua Mãe ligou-me seria quase meia-noite.

Havias estado quase duas semanas com a Tia e com os Avós, e estarias em casa há três ou quatro dias quando, ao adormecer, tiveste uma crise de choro.

Ao princípio a tua Mãe não percebeu o que se passava, depois lá disseste que querias ouvir uma música. A tua Mãe cantou várias, mas nenhuma era aquela... e finalmente falaste na Canção de Embalar. Como não sabia a letra toda, ligou o You Tube e esteve uns largos minutos a repetir Zeca Afonso e outros cantores que encontrou. Acalmaste um pouco, mas as lágrimas ainda caíam... e não conseguias adormecer.

Em desespero, a tua Mãe telefonou em videochamada:

- Mana, a miúda está a chorar há mais de uma hora, não consigo adormecê-la, pediu para falar contigo...

- Então, Sobrinha, o que se passa?

E tu, chorosa e com ar de sono:

- Tia, cantas?

Não precisei de perguntar que canção querias. Comecei "Dorme, meu menino, a Estrela d'Alva", e ainda não ia a meio quando a tua Mãe me disse baixinho:

- Mana, vou desligar. Ela adormeceu...

História a duas mãos

- Tia, contas-me a história da Princesa Piolho?

- Não conheço essa história, Sobrinha...

- Mas foste tu que a contaste na outra semana, Tia!

- Ah, é uma daquelas histórias que a Tia inventa...conto-tas e esqueço-as...

- Tia, tens de as escrever para não as esqueceres...

- Devia, não devia, Sobrinha? E que tal escreveres tu as histórias que a Tia te conta? Podias começar por essa, a da Princesa Piolho.

- Tia, eu não me lembro de tudo... mas não há problema se contar à minha maneira, pois não?

- Claro que não, até fica muito mais giro!

E ficou assim...

(continua)

Confusões do sono

Ontem estavas quase a dormir depois de um serão de jogos. Mas ainda me pediste uma história. E outra...

- E  depois duas canções, está bem, Tia?

- Está bem, Sobrinha...

Como gosto de te habituar a músicas novas, e porque te supunha já adormecida, cantei-te apenas o refrão da "Balada do Outuno":

notas musicais2.jpgRios que vão dar ao marnotas musicais2.jpg

notas musicais2.jpgDeixem meus olhos secarnotas musicais2.jpg

notas musicais2.jpgÁguas das fontes calainotas musicais2.jpg

notas musicais2.jpgOh, ribeiras chorainotas musicais2.jpg

notas musicais2.jpgQue eu não volto a cantarnotas musicais2.jpg

 

E ouço-te sonolenta mas aflita:

- Tia, porque não voltas a cantar?

Reciclagem...

... foi o que disseste fazer com as aparas de lápis.

Acabaste a barra de cola antes de acabares o trabalho - e o problema era a falta de cola. Que ultrapassaste com bocadinhos de fita-cola dobrados. Que arrancaste quando a tia de entregou um tubo de cola, depois de quase teres arrancado os cabelos por o trabalho não estar a sair como querias... e que não querias desvendar enquanto não terminasses! Mas tiveste que pedir ajuda. Eu prometi olhar só o tempo necessário para te poder ajudar, nem mais um segundo. E cumpri, não cumpri? Pronto, cumpri quase, demorei um bocadinho mais a perguntar o que querias fazer com o projecto.

Enfim, reciclando aparas e afiando lápis que não precisavam de ser afiados, o resultado foi uma mesa de trabalho muito desarrumada, uma cara muito feliz e um projecto a precisar de fotografias:

- Agora quero colar aqui fotografias pequeninas, entre os corações... ajudas, Tia?

- Claro, Sobrinha! Vem cá, vamos escolher algumas para encolher...

(demorou mais do que a Tia pensava, 7 anos de fotografias são muitos anos!)

... e o resultado foi este.

 

IMG_3722.JPG

 

 

Fotógrafas de palmo e meio

No aniversário do teu Pai festejado este ano, estava adoentada e durante um pouco  sentei-me na sala de estar. Nas correrias entre o piso de cima, onde decorria a festa, e o teu quarto, onde brincavas com alguns dos teus amiguinhos, não passavas sem me vires abraçar. Resolveste até ficar comigo, numa enorme demonstração de ternura que ainda não percebes, Querida, mas que te é tão natural!

Mas eu não te queria sossegada a conversar quando te via tão animada, e porque não te consegui convencer a ires brincar, trouxe a brincadeira para a sala: jogar ao esconde-esconde. Acabei por servir de esconderijo várias vezes... e fui árbitro outras tantas. O curioso é que vieste para a sala com dois amiguinhos, o inseparável A. e o vizinho M., mas da tua grande amiga L. nem sinal... tinha ficado a tirar fotografias à festa:

- Sabes, Tia, a L. quer ser fotógrafa quando for grande. Já avariou a máquina do Pai e tudo...

- Mas não foste tu que partiste a máquina do teu Pai?

- Oh, oh, Tia! Eu parti a do meu Pai, a L. avariou a do pai dela...

A Priminha L.

A Priminha nasceu esta madrugada, ainda a noite começava. Já dormias, só saberás quando acordares.

O médico disse há muitos meses que nasceria ontem, dia 8. Mas a barriga da tua Madrinha estava maior do que a da tua Mãe no dia anterior ao teu nascimento, e a da tua Mãe era enorme! Por isso já a esperávamos há uns dias, mas ela não estava com muita vontade de nascer... É mesmo tua prima!

Quando os Avós foram levar a G. e o C. ao aeroporto, a filha deles, tua Madrinha, avisou que estava a caminho do hospital. Duas horitas de voo, e após aterrarem o C. telefonou a dizer que tinham chegado bem e que não havia novidades... já o dia 9 tinha começado há mais de meia hora e a Priminha sem vontade de nascer! Passada meia-hora, o C. telefonou a dizer que a Priminha já tinha nascido!

Sabes, Sobrinha, eu acho que a Priminha L. se atrasou de propósito: ficou à espera que os avós chegassem. 

 

E sobre a Priminha L. disseste-me há umas semanas:

- Tia, a filha da Madrinha está quase a nascer, não está?

- Está, sim.

- E depois ela vai ter outra?

- Não sei, Sobrinha...

- Mas eu gostava muito que a Madrinha tivesse outro bebé.

- Porquê?

- Porque eu também queria ser Madrinha.