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Tia! Tia! Tia!

As tias têm voz. E histórias.

Um rei demorado

No Verão após o teu primeiro aniversário, comecei a cantar-te José Barata Moura e Ana Faria. E Os Caricas, claro, ao som dos quais começaste a dar ao pé muito antes de dares um passo.

Numa qualquer tarde de Agosto ou Setembro, e não me lembrando de toda a letra da Era uma vez um rei, peguei no telemóvel e procurei no You Tube.

As grossas paredes da casa dos avós dificultam a rede sem fios, e na altura não havia aquelas "coisa com a luzinha azul" que são os reprodutores de sinal.

Estávamos no quarto, e no ecrã do telemóvel apenas aparecia o triângulo vermelho do You Tube com o círculo que indicava estar este a carregar... e tu não te lembras, mas esse telemóvel não tinha um ano e estava já no limite da capacidade.

Assim, o You Tube estava a demorar mesmo muito muito muito tempo a carregar, o círculo a dar sinal da lentidão e eu cansada de aldrabar a letra de uma das minhas canções preferidas - que viria a ser, também, uma das tuas canções preferidas.

Eras paciente, mas talvez tenhas sentido a minha impaciência, porque

- Tia, não há mússica?

- Oh, Sobrinha, vês esta bolinha a girar? A canção vem a caminho, está a chegar.

E ia trauteando a Joana que comia a papa, o Luís que foi a Paris, e tu

- Tia, o rei?

e eu aldrabava o rei e a sua barriga e nem a música respeitava, esquecida de quase tudo menos do refrão.

Até que tu, talvez cansada de esperar por um rei prometido que nunca mais chegava, olhaste fixamente o telemóvel e  autoritária disseste

- Oh, bo'inha chata! 'pacha-te, a tia que' o rei!

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[acho que...]